Não deixe a escola destruir a autoestima do seu filho

Uma menina de uns 13 anos, filha de um amigo, reprovou de ano na escola. Durante todo o ano passado, os pais fizeram na tentativa da filha melhorar seu desempenho escolar, com aulas de reforço e acompanhamento psicológico,e finalmente pressionaram a escola, que não cedeu, e a menina reprovou.

É um caso típico e muito comum onde a cabecinha da criança não se adapta ao modelo de ensino escolar. A dificuldade de reter informações e replicá-las numa prova pode ter diversas causas, mas o que importa é que a criança vai mal na escola não importa o que se faça. O que fazer então?

Os pais geralmente decidem que uma boa escola é inegociável. A criança vai continuar numa boa escola, se estrupiando até o fim do ensino médio, empurrando com a barriga. Vai fazer quantos reforços e aulas particulares forem necessárias. Nessa trajetória a autoestima da criança vai para o ralo. Todos os dias ela se sente burra, a cada boletim ela é humilhada. E tudo isso numa fase da vida onde a personalidade está sendo construída. As consequências disso tudo são impossíveis de se medir e tenho a impressão que não são nada boas.

E o mais triste é que não precisava ser assim, mas os pais têm a certeza de que esse é o único caminho possível para o sucesso profissional e pessoal do seu filho. Está tudo MUITO errado.

Primeiro porque o mundo está cheio de possibilidades. A escola e a universidade, ao contrário do que parece, ela ESTREITA a visão da criança. A universidade forma profissionais para, sei lá, umas 200 profissões diferentes. Enquanto isso, pode-se ganhar dinheiro e até ficar rico por milhares de profissões e ocupações diferentes.

E se, ao invés de “artes” 1x por semana, o aluno, se assim quisesse, fizesse parte de um coral, 2x por semana? Ou aula de teatro? E se ao invés de “física”, ele estudasse mecânica de automóveis? E se ao invés de geografia, ele estudasse jardinagem e paisagismo? São áreas de aplicação de artes, física e geografia, com diferença de que, se forem estudadas diretamente na prática, pode ser que  desperte no aluno uma vocação, que se comece uma profissão e que ele leve para toda a vida algo que aprendeu na escola, algo que acontece pouquíssimo hoje. Acredito que uma forma lúdica de aprendizado pode funcionar muito bem para crianças que vão mal na escola.

Esse esquema de somente ter aulas e estudar, sem praticar; disciplinas somente teóricas, sem aplicação prática, leva ao desinteresse, à notas baixas, ao desperdício de tempo e dinheiro, e até à destruição da autoestima do aluno. O aluno estuda matérias  que nunca vai aplicar e pouco tempo depois não se lembra mais de nada. Sabia que você estudou equações de segundo grau, movimento retilíneo uniforme e fórmula de báskara? Sabe explicar o que é? Se lembra de alguma coisa? APOSTO que, se tivesse estudado mecânica de automóveis, se não usasse para nada na vida, ao menos se sentiria mais seguro diante do mecânico quando o carro quebrasse.

Não sei se passarei por situação semelhante com meus filhos na escola, mas se passar, espero que eu tenha coragem de tirá-los da escola particular, colocar numa escola pública de bairro e, no período livre, permitir que eles pratiquem atividades que tragam conhecimento para a vida toda.

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