Um bom emprego pode te arruinar

Quase todo jovem profissional sonha com um bom emprego, um emprego onde ele possa sedimentar seus conhecimentos da faculdade, onde tenha desafios e pague mais ou menos bem.

Assim que consegue o bom emprego, tudo parece estar caminhando conforme os planos. O dinheiro sobra no fim do mês, dá pra fazer uma poupança, umas viagens, carro novo e até pensar em comprar um apê. O salário sobe todo ano e depois de uns 4 ou 5 anos, contando com alguma promoção ou aumento, já está ganhando o dobro.

Mas, chegando perto dos 30 anos, as despesas desse jovem já são maiores, ele já casou, já saiu da casa dos pais, já comprou seu apê financiado, já é mais exigente com roupas e restaurantes. O emprego já não empolga, mas o salário é o dobro do salário de entrada no mercado. .

E nesse momento ele se dá conta de que TODO EMPREGO É TEMPORÁRIO. Sim, se você não é concursado nem filho do dono, as chances de você se aposentar no seu primeiro emprego são quase 0%. E bate aquele desespero. Mudar de emprego com o mesmo salário é bem difícil. Então o jovem, já não tão jovem, se apega com unhas e dentes ao seu emprego.

Com 5 anos de casa ele já não aprende quase nada de novo no trabalho. Tudo que ele quer aprender é como durar mais no emprego. E assim, torna-se super especializado naquilo que faz e não sabe quase nada de fora, tem uma visão superficial dos outros mercados e outras posições. Mas é super confiante, já que faz seu trabalho “com o pé nas costas”.

Até o grande dia chega. Sua empresa é adquirida pelo concorrente, o chefe muda, a crise bate, os cortes começam, seja lá o motivo, o cara é demitido. Depois de anos só fazendo o que tem que ser feito, o que lhe é solicitado, só atendendo demandas, não tem mais demanda nenhuma pra atender. Seu mercado está em crise, arrumar novamente um bom emprego não vai ser nada fácil, então ele decide empreender ou ser autônomo.

Nessa hora ele percebe que o conhecimento adquirido no seu trabalho é mais ou menos 10% do que ele precisa pra ser bem sucedido. Que outras dezenas de competências e habilidades que ele sente falta hoje, foram negligenciadas por tantos anos. Afinal, ele não precisava de nada disso pra receber o salário no fim do mês. Então dá com os burros n’água com seu novo empreendimento, muda de ramo, se ferra de novo, perde dinheiro e gasta todas suas economias e FGTS. Nesse período, que geralmente dura de 2 a 5 anos, ele aprende o que deveria ter aprendido até os 25 anos. É o inferno pessoal e profissional. Por fim, as coisas vão melhorando, o novo negócio engrena e ele volta a pagar as contas em dia.

Esse é um drama que, mais ou menos assim, aconteceu comigo e com muitos amigos. É uma história recorrente, muito comum. Quando a demissão chega, bate aquele arrependimento: o emprego era tudo que eu tinha na vida. Por isso, sempre que converso com amigos, aconselho: faça o possível e o impossível para ter um trabalho paralelo ao seu emprego. Pode ser um trabalho de consultor, free lancer, dar aulas ou um hobby que pode se tornar profissão. Esteja dentro de algum mercado fora do seu emprego. Com isso você vai desenvolver outras habilidades, conhecer outros mercados, abrir novos horizontes e, quem sabe, ganhar um dinheiro a mais.

E quando o dia fatídico da demissão chega, você não é um náufrago boiando no meio do oceano, você tem pelo menos um barquinho e um remo na mão.

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