Sua inteligência não te salvará!

Eu sou um cara inteligente. Pelo menos é o que minha mãe diz. Não só minha mãe, várias pessoas me disseram e continuam dizendo e eu sinto que tenho uma boa capacidade de aprendizado, então, sem exibicionismo, posso dizer que me considero inteligente. Digo que sou inteligente sem muito peso de “estar me achando” porque sei que, embora essa seja uma qualidade super apreciada, às vezes não tem muita utilidade.

Mães, pais, professores e tias chatas incutem na cabeça das crianças que “ser inteligente” é o supra sumo da existência humana, como se essa fosse a qualidade básica onde todas as outras se apoiam. Como se ganhar dinheiro, ter uma família feliz, ter uma boa saúde e ter satisfação no trabalho fossem consequências naturais na vida de pessoas inteligentes. Não é, e cada dia que passa a sua inteligência se torna mais desnecessária.

Essa ideia de que “a inteligência é a maior das virtudes” é um grande embotador de outras qualidades. Como o jovem tira notas altas na escola e todo mundo diz que ele vai ser “o cara” quando resolver entrar pra vida de verdade, ele tem grandes chances de se tornar orgulhoso e confiante demais antes mesmo de apresentar qualquer resultado concreto na vida. Ele acha que o sucesso virá naturalmente, com um esforço mediano e de primeira. E como já disse Salomão em Provérbios 16:18, “A soberba precede à ruína; e o orgulho, à queda”.

Com o tempo, eu percebi que minha inteligência não me salvaria. Que esse indicador até que era importante, que funcionava como um motor potente, mas que sozinho, sem pneus novos e alinhados, freios e amortecedores bons e manutenção em dia, esse motor potente poderia me levar pra um abismo e até fundir. Uma inteligência que não traz resultados práticos para a vida é uma coisa desesperadora e pode levar a pessoa à depressão e loucura. A figura do gênio antissocial e fracassado até já é um esteriótipo e acredito que essa seja uma condição muito pior que ser uma pessoa simplória e fracassada. É a diferença entre uma Ferrari velha e enferrujada e um Fiat 147 velho e enferrujado. Você olha pra Ferrari e pensa, “que dó”!

Para se ter sucesso e equilíbrio nos diversos aspectos da vida, uma inteligência mediana já basta. Sendo burro é um pouco mais difícil, você vai se dar mal mais vezes até acertar, mas também é possível. Portanto foque menos na sua inteligência, confie menos que a solução está dentro da sua cachola e DESENVOLVA OUTRAS HABILIDADES que, combinadas com sua inteligência, podem te levar longe, como por exemplo:

  • Comunicação: ser articulado, ter um bom vocabulário, falar num tom de voz agradável, se fazer entender.
  • Desinibição e Ousadia: não ter vergonha do julgamento alheio, dar a cara a tapa, ter coragem de pedir favores.
  • Humildade e Paciência: aceitar algumas situações, não tomar atitudes precipitadas, não destruir relacionamentos por falta de domínio próprio.
  • Empatia: ser sensível às dificuldades do outro, dar atenção quando a pessoa precisa.
  • Persistência e Resiliência: não desanimar diante das primeiras frustrações.

Não listo essas qualidades porque eu já as possuo de sobra, não sou guru de ninguém. Faço essa lista justamente porque valorizo essas coisas e sofro pra me desenvolver nelas. Eu trocaria 50% da minha inteligência por um incremento em cada uma dessas habilidades e virtudes.

Agora, eis a questão: como desenvolver essas habilidades e virtudes? Existem duas maneiras: fazendo cursos e assumindo responsabilidades na vida. Falo disso outra hora.

Deixo aqui um vídeo do meu novo guru, Jordan Peterson (JP). Alguns comentários que li nos vídeos dele: “meu mais novo pai”, “cheguei à conclusão que o JP é o cara mais inteligente que existe”, “imagina só ser filho do JP”, “quando o JP fala, eu ouço”. Enfim, ouçam e memorizem.

 

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