SUITS – Advogado contrata jovem não formado em direito. Pode isso Arnaldo?

Falar sobre a série SUITS que passa no NETFLIX tendo uma abordagem para questionamentos educacionais, sem dar spoilers, precisa ser baseada em seu enredo e contar o que instiga e não o que acontece.

Da wikipedia se tira o seguinte:

A série é rodada em torno de casos jurídicos sempre bem resolvidos, e com um toque de humor sarcástico, tudo isso dentro do escritório de advocacia “Pearson Hardman”. Michael “Mike” Ross (Patrick J. Adams) é um garoto que foi expulso do colégio, mas com uma brilhante memória que lhe permitiu excelentes notas no teste de admissão em cursos de Direito, sem nunca ter obtido o diploma por não poder entrar em nenhuma faculdade. Harvey Specter (Gabriel Macht), um dos melhores advogados de Manhattan, testa-o e o aceita-o como um de seus associados. Devido à política da firma de aceitar apenas ex-alunos da Escola de Direito de Harvard, ambos mentem que Mike é um graduado que frequentou Harvard. Ao contrário do veterano Harvey, Ross cria vínculos com seus clientes. Harvey, com seu jeito frio, evita contato com Mike em assuntos que não sejam sobre trabalho. Mas no decorrer da série eles criam um forte vínculo de amizade um com outro, o que faz de Mike Ross o pupilo de Harvey, que ensina ao novato todos os truques sobre o ramo jurídico.

Os mais céticos e conservadores estão se perguntando.

Porque falar de uma série baseada numa fraude? O relacionamento de um advogado formado em Harvard e um Zé ninguém pode dar certo? A série mostra o tempo todo artimanhas e manobras jurídicas ilícitas para que a história se desenvolva?

Porque então a série é tão interessante e não consegue te fazer parar de assistir?

Suits tem o poder de te prender em frente a tela. Te faz questionar muito sobre os regulamentos que qualquer trabalhador, ainda mais no Brasil, precisa seguir. Estar formado no Brasil é pré-requisito para muitas profissões. Estar formado e registrado num conselho de classe… mas isto não importa agora.

O que importa é que isto está no nosso sangue, no nosso dia-a-dia e nos deixa incômodos quando vemos um relacionamento profissional como o de Harvey e Mike. Muitos dos episódios você se questiona, se incomoda.

Mike pode continuar se escondendo e mentindo que não é formado em Harvard? Será que ele pode fazer isso? Acaba chegando a conclusão que, porque não, ele é um gênio.

Harvey está certo em batalhar por seu pupilo Mike que não é formado? Acaba chegando a conclusão que, porque não, ele é um gênio.

Em certos episódios, quando você acha que Harvey perdeu aquele caso, ele dá um jeito de descobrir algo e tentar um acordo (ás vezes quem descobre é o Mike). Ele blefa, apresenta novos fotos, tenta não ir a julgamento, às vezes até rola uma chantagem e você fica em dúvida. Quem é que está errado no final da história.

Para falar de SUITS é necessário falar da personagem de Rick Hoffman, Louis Marlowe Litt. Ele é um associado do escritório e constantemente tem suas desavenças com Harvey. Quer tirar Mike do comando de Harvey, criar empecilhos e aparecer pra diretoria do escritório.. Quer ter o reconhecimento que Harvey tem perante todos no escritório e porque não Nova Iorque.

Constantemente ficamos contra suas ações. Nos tira da zona de conforto mas em sua maioria ele está formalmente correto. É antiético às vezes imoral, mas correto em sua aplicação.

Para exemplificar, em um episódio Louis quer achar um jeito de ferrar com Harvey e muda uma norma do escritório. Transforma uma norma que se aplicava aos associados juniores e funcionários somente para ser aplicada também aos associados seniores. Ele usa da formalidade, de forma antiética, para querer ferrar com a vida de Harvey.

A série trás a todo momento o que é certo e o que é errado no mundo dos negócios. Não é só Mike que está fazendo algo errado escondendo que não é formado. Formação não cura condutas antiéticas ou imorais.

Mike Ross, aquele que não se formou em Harvard mas diz que sim, tem outros colegas que são super inteligentes e capazes e não tem formação. Alguns estão atrás de entrar para uma faculdade mas mesmo sem são indispensáveis no escritório.

É aí que você se pergunta até que ponto toda aquela burocracia de se formar, prestar prova para a OAB, pagar anuidade é necessária para o exercício da profissão?

Quantos são aqueles que não exercem a profissão e são formados? Quantos são aqueles que NÃO têm OAB e exercem a profissão? Aqui no Brasil é possível trabalhar assim?

Mas é claro que é! Há várias vagas que servem para a estrutura do direito e não precisa ter a OAB ativa. Seja como auxiliar em grandes escritórios, cargos de confiança de juízes, promotores, vereadores ou deputados.

Houve uma época que existia o rábula, profissional de direito que ganhava licença para representar causas em primeira estância. Este profissional hoje não é mais permitido.

Mike Ross é uma fraude legal, mas é um sucesso. Sabe pensar, sabe escrever, sabe falar. Não tem diploma mas sabe. Segue os passos de seu mentor Harvey que tem os mesmos predicados mas tem um diploma.

Questionar a necessidade de diploma para o Mike Ross é questionar a necessidade das leis que o impedem de trabalhar. Há sempre a necessidade de defesa da sociedade em geral, leiga no assunto, por alguma instituição. Sempre haverá.

Porém até que ponto este poder pode ser exercido? A constante criação de normas, regulamentos, taxas e tarifas se justificam? Precisamos ter conselhos coercitivos ou investigativos? A demanda para a necessidade de defesa não tem que partir da sociedade? Se esta não se sente lesada pela atuação do profissional não significa que este poderia exercer a profissão?

Não estou aqui com resposta pronta e defendendo Mike Ross integralmente em exercer a profissão de advogado.

A questão principal é aceitar inerte, sem questionar, que isto não possa ocorrer. Será que não pode? Todas as profissões precisam ser reguladas? Quem se beneficia com isto?

Pense meu amigo/a, pense.

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