Que “trilho” é esse?

Chamo de “trilho” o nosso sistema educacional atual. Você entra na escola aos 3 anos, no Nível III do Infantil e no ano seguinte vai pro Nível IV, depois Nível V e depois pro 1º ano do Ensino Fundamental. Segue em linha reta até o 9º ano, depois, automaticamente, aos 15 anossem parar para pensar nem por um minuto, entra no 1º ano do Ensino Médio. Chegando no 3º ano do Ensino Médio você é obrigado a pensar para qual curso superior vai  prestar vestibular (no meu caso, pensei por uns 2 dias). Decidido o curso, é só se esforçar pra passar no vestibular e depois seguir o trilho por mais 4, 5 ou 6 anos, só olhando para a frente. Chegando ao fim desse trilho, é só arrumar um emprego com um salário muito maior do que se não tivesse feito um curso superior.

Seguir o trilho dá certo para várias pessoas, mas a cada dia dá menos certo. Hoje, para maioria não está funcionando, por vários motivos:

  • O momento crucial da escolha da carreira pra quem segue o trilho é a inscrição para o vestibular, e essa escolha é feita baseada em pouquíssima vivência e informação escassa, então são grandes as chances de ser feita a escolha errada;
  • O progresso tecnológico deixou quase todos os cursos superiores desatualizados. Ainda que o curso seja “moderno”, no próprio período do curso, o mercado muda e você está sendo preparado para um mercado totalmente diferente da realidade;
  • O longo período de dedicação ao curso superior cria um apego àquela formação muito difícil de largar mais adiante. Só depois de muita decepção é que a pessoa tem coragem de assumir que sua formação superior não é mais adequada à sua vocação e à realidade do mercado e esse é um processo duríssimo que muita gente tem passado.

Ainda existem dúzias de outros motivos pelo qual seguir o trilho não está funcionando como a popularização dos cursos superiores, a escolha de um curso mais por status que por necessidade ou vocação e a falsa ideia de que este é o caminho mais rápido para chegar ao sucesso.

A proposta então é sair do trilho, andar Fora do Trilho, onde o caminho não é retilíneo e as curvas não são suaves. O trilho é o caminho mais fácil, já está pronto, é só entrar e seguir adiante, mas pode te levar pro abismo ou pro olho do furacão. Existem outros caminhos, mais pedregosos e menos percorridos, mas ao andar neles você se fortalece, você aprende a fazer escolhas, você é obrigado a ficar de olhos bem abertos e assim se prepara melhor não só para a carreira mas pra vida.

 

Sugestão: Muito boa essa entrevista com Sofia Esteves (52 minutos). A parte principal é a que ela fala que os candidatos não são selecionado por falta de “brilho nos olhos” pela vaga, típico de quem escolheu uma profissão pelos motivos errados.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *